O que é o tirante de contraventamento
O tirante é a peça mais simples da estrutura metálica: uma barra redonda de aço, com rosca nas duas pontas ou em toda a extensão, que atravessa a chapa de ligação ou a alma do perfil e é presa com porca, contraporca e arruela. Ele não trabalha à compressão: só puxa. Por isso aparece sempre em par, cruzado em X, de modo que uma das diagonais esteja sempre tracionada, venha o vento de um lado ou do outro.
Na obra ele também é chamado de tirante para galpão, barra de contraventamento ou tirante redondo. Quando liga terças entre si, recebe o nome de tirante de terça ou corrente (veja abaixo).
- A
- Tirante: barra redonda com rosca nas pontas. Só trabalha à tração; no X, uma diagonal sempre puxa.
- B
- Chapa de ligação: chapa soldada ou parafusada no pilar e na viga, com o furo por onde passa o tirante.
- C
- Esticador: opcional, para tensionar a barra sem girar o tirante inteiro.
- D
- Ponta do tirante: detalhe à direita.
- E
- Arruela biselada: assenta a porca perpendicular à barra quando o tirante chega inclinado na chapa.
- F
- Porca e contraporca: a porca dá a tensão; a contraporca trava contra a vibração.
Desenho esquemático, sem escala. A especificação final segue o projeto estrutural.
Como o X de contraventamento trabalha
O pórtico de um galpão (pilar, viga e pilar) resiste bem às forças no seu próprio plano. Na direção perpendicular, ao longo do comprimento do galpão, ele é frouxo: o vento que bate na fachada de topo, a frenagem de uma ponte rolante e as imperfeições da montagem empurram os pórticos como uma fileira de dominós. O contraventamento resolve isso transformando um ou mais vãos em painéis rígidos, que seguram todos os outros.
- Contraventamento da cobertura: X no plano do telhado, entre as vigas de dois pórticos, normalmente nos vãos das extremidades. Recolhe o vento da fachada de topo e leva até as linhas de pilares.
- Contraventamento vertical (fechamento lateral): X entre dois pilares da mesma fila, no plano da parede. Desce a força da cobertura até as fundações.
- Escoras: as terças ou barras de compressão ligam os demais pórticos ao vão contraventado. O tirante não substitui a escora: ele só puxa.
Como a diagonal comprimida não trabalha, o projeto considera só a tracionada em cada sentido do vento. É por isso que um tirante frouxo é um problema: ele só começa a segurar depois que a estrutura já se deslocou.
Tirante de terça (corrente)
As terças, que sustentam a telha, são perfis leves e muito mais fracos na direção paralela ao caimento do telhado. O tirante de terça, chamado de corrente na obra, é uma linha de barras redondas que liga as terças entre si no meio ou nos terços do vão. Ele:
- reduz o vão da terça na direção fraca, que passa a se apoiar nas correntes;
- evita o giro da terça e a flambagem lateral quando o vento suga a telha para cima;
- mantém as terças alinhadas durante a montagem e a colocação da telha.
As correntes descem de terça em terça e são ancoradas na cumeeira por diagonais (ou na viga do beiral), para que a força acumulada não fique na última terça. Bitola, quantidade de linhas e posição vêm do projeto.
Tirante de contraventamento para telha
No comércio de acessórios de cobertura, o mesmo nome aparece numa peça diferente, que não faz parte da estrutura metálica: uma barra redonda longa com as pontas achatadas, dobradas e furadas, que trabalha junto com uma haste com vedação que atravessa a telha. O conjunto amarra a cobertura à estrutura em diagonal e ajuda a segurar a telha contra a sucção do vento, principalmente em beirais, bordas e coberturas abertas.
- Haste com vedação: passa pela crista da telha com chupeta de PVC, arruela côncava e porca, como um gancho ou haste para telha.
- Barra de amarração: liga a haste a um ponto firme da estrutura (terça, viga ou pilar), com as pontas furadas presas por parafuso.
- Medidas: não há padrão de mercado. Ângulo, comprimento e furação seguem a cobertura: fabricamos pelo desenho ou pela amostra, em aço galvanizado a fogo para área externa.
Ele não substitui o número de fixações pedido pelo fabricante da telha nem o contraventamento da estrutura: é um reforço da cobertura. O panorama de peças está em fixadores para telhado.
Componentes do conjunto
- Barra
Tirante roscado
Barra redonda com rosca nas pontas no comprimento necessário, ou barra roscada em toda a extensão. A rosca precisa vencer chapa, arruelas, porca, contraporca e a folga de regulagem.
- Aperto
Porca e contraporca
A porca dá a tensão; a contraporca, apertada contra ela, trava contra a vibração do vento e de pontes rolantes.
- Apoio
Arruela lisa
Distribui o aperto na chapa e protege a galvanização da chapa contra o giro da porca.
- Ângulo
Arruela biselada ou chapa dobrada
Quando o tirante chega inclinado na alma ou na chapa, compensa o ângulo e deixa a porca perpendicular à barra.
- Tensão
Esticador
Corpo com rosca direita numa ponta e esquerda na outra: gira e puxa as duas metades do tirante ao mesmo tempo.
- Sob desenho
Tirante com olhal ou garfo
Pontas forjadas ou soldadas para ligação por pino, quando o projeto pede. Fabricamos conforme o desenho.
Material: A36, A572 e o problema do SAE 1020
Tirante é peça calculada. O cálculo usa o limite de escoamento (fy) e a resistência à ruptura (fu) do aço, e esses números só valem se estiverem garantidos no certificado do lote.
| Aço | fy (MPa) | fu (MPa) | Quando usar |
|---|---|---|---|
| ASTM A36 | 250 | 400 | Padrão em contraventamento e tirante de terça de galpões |
| ASTM A572 Grau 50 | 345 | 450 | Esforços maiores, quando o projeto pede bitola menor ou mais folga |
| SAE 1020 sem certificado | Não garantido | Não garantido | Não serve em peça calculada |
A barra SAE 1020 comum é definida pela composição química, não pelas propriedades mecânicas. Sem certificado com fy e fu, ninguém sabe quanto ela aguenta. Peça sempre o aço do projeto e confira o certificado na entrega.
Tabela de tração resistente por bitola
Valores de referência da força de tração resistente de cálculo da barra em aço ASTM A36, pela ABNT NBR 8800: o menor entre o escoamento da seção bruta (Ab·fy/γa1) e a ruptura na rosca (Abe·fu/γa2), com Abe = 0,75·Ab, γa1 = 1,10 e γa2 = 1,35. Em todas as bitolas da tabela, quem governa é a ruptura na rosca.
| Bitola | Diâmetro (mm) | Ab (mm²) | Abe = 0,75·Ab (mm²) | Ft,Rd (kN) |
|---|---|---|---|---|
| 1/2" | 12,7 | 126,7 | 95,0 | 28,2 |
| 5/8" | 15,9 | 197,9 | 148,4 | 44,0 |
| 3/4" | 19,1 | 285,0 | 213,8 | 63,3 |
| 7/8" | 22,2 | 387,9 | 291,0 | 86,2 |
| 1" | 25,4 | 506,7 | 380,0 | 112,6 |
| M12 | 12 | 113,1 | 84,8 | 25,1 |
| M16 | 16 | 201,1 | 150,8 | 44,7 |
| M20 | 20 | 314,2 | 235,6 | 69,8 |
| M24 | 24 | 452,4 | 339,3 | 100,5 |
A tabela é só da barra. A ligação (chapa, furo, solda, parafuso), a combinação de ações, a esbeltez e o efeito do pré-tensionamento são verificados pelo projetista. Use a tabela para conferir ordem de grandeza, nunca para dimensionar sozinho.
Com ASTM A572 Grau 50, a ruptura na rosca continua governando e a força de cálculo sobe cerca de 12% (fu de 450 contra 400 MPa). Barra roscada em toda a extensão tem a seção reduzida da rosca no comprimento inteiro: o escoamento passa a ser verificado nessa seção e, em A36, a força de cálculo cai para perto de 3/4 do valor da tabela. Por isso, em contraventamento, prefira barra lisa com rosca só nas pontas.
Como especificar o tirante no pedido
Bitola e aço, conforme o projeto (por exemplo, 3/4" ASTM A36).
Comprimento total de cada tirante, de ponta a ponta. Em contraventamento, cada vão pode ter uma medida: mande a lista do projeto.
Comprimento de rosca em cada ponta: espessura da chapa + arruelas + porca + contraporca + folga para tensionar (com esticador, a rosca do meio também).
Tipo de rosca: UNC, BSW ou métrica, igual à das porcas e do esticador. Na dúvida, use o identificador de rosca.
Acessórios por tirante: porcas, contraporcas, arruelas lisas, arruelas biseladas (com o ângulo) e esticador.
Acabamento e certificado do material.
Tirante de contraventamento Ø 3/4" UNC · ASTM A36 com certificado · comprimento 6.250 mm · rosca 120 mm em cada ponta · galvanizado a fogo · 2 porcas + 2 contraporcas sobremedida + 2 arruelas lisas + 2 arruelas biseladas · 64 peças
Acabamento
A maioria dos galpões é aberta ou ventilada, e o tirante fica exposto à umidade e à condensação. A regra: dentro e seco, zincado; galpão aberto, cobertura e área externa, galvanizado a fogo; litoral, inox 316 ou galvanizado a fogo com pintura.
- Zincado eletrolítico: 5 a 12 µm de zinco. Só em ambiente interno e seco.
- Galvanizado a fogo: camada média mínima de 50 µm em peça roscada (ISO 1461 / ABNT NBR 6323). Porca e contraporca galvanizadas, com rosca sobremedida. Veja parafuso galvanizado a fogo.
- Pintura: segue o esquema da estrutura. Rosca pintada não aceita porca: proteja a rosca antes de pintar.
Montagem e tensionamento
Alinhe e aprume a estrutura primeiro. O tirante trava a posição em que a estrutura está; não use o tirante para puxar pilar torto.
Passe o tirante pelos furos das chapas de ligação e coloque arruela (biselada quando houver ângulo) e porca nas duas pontas.
Tensione até tirar a flecha da barra, girando a porca ou o esticador, sem forçar a estrutura para fora de prumo.
Tensione os dois tirantes do X por igual, para não deslocar o cruzamento nem empenar o painel.
Trave com a contraporca e confira o prumo de novo.
Reaperte na inspeção depois das primeiras ventanias e a cada manutenção: tirante frouxo não trabalha.
No galvanizado a fogo, use só as porcas que vêm com o tirante. Repassar a rosca com cossinete tira o zinco exatamente onde a corrosão começa. Para os parafusos das ligações da estrutura, veja parafusos estruturais ASTM A325 e o resumo da ABNT NBR 8800 para fixadores.