Certificado NACE MR0175 para parafuso: como pedir ao fornecedor e validar no recebimento

NACE MR0175 / ISO 15156 rege materiais em sour service (H2S). Dureza máxima 22 HRC para B7M. Como pedir, o que validar e quais materiais atendem. Erros comuns com porca 2H vs 2HM.

Em serviço sour (presença de H2S), um parafuso A193 B7 comum falha por SSC — trinca por tensão sulfídica — mesmo dentro da carga nominal. A norma NACE MR0175 / ISO 15156 existe para impedir essa falha, e o controle central é dureza máxima 22 HRC para aço carbono/liga. Pedir o certificado correto e validar no recebimento é responsabilidade do comprador.

Parafusos em refinaria de petróleo azedo, gasoduto com H2S ou poço petrolífero operam em ambiente que degrada metais suscetíveis. A NACE MR0175, hoje publicada como ISO 15156, define quais materiais resistem e sob quais limites. Este guia mostra o que exigir no pedido, o que validar no lote recebido e onde estão as armadilhas mais comuns — a principal delas é confundir B7 com B7M, ou porca 2H com 2HM.

O que é NACE MR0175 / ISO 15156

NACE MR0175 e ISO 15156 são a mesma norma, publicada em cooperação entre NACE International (hoje AMPP) e ISO. Rege a seleção de materiais metálicos para equipamentos e componentes em produção de óleo e gás que contenham sulfeto de hidrogênio (H2S) — o chamado sour service.

A norma é dividida em três partes. A Parte 1 cobre princípios gerais. A Parte 2 trata de aços carbono e de baixa liga, com tabelas de dureza e composição admissíveis. A Parte 3 cobre CRAs (corrosion resistant alloys) — inox, duplex, superduplex, ligas de níquel. Para parafusos estruturais e de vedação, a Parte 2 governa B7M e a Parte 3 governa B8M Classe 1 e duplex.

Por que dureza é o controle central

O mecanismo de falha em sour service é SSC (sulfide stress cracking) e, em chapas, HIC (hydrogen induced cracking). Ambos dependem da microestrutura do aço — materiais mais duros têm menor tenacidade e maior suscetibilidade à fragilização por hidrogênio atômico gerado na corrosão pelo H2S.

A ISO 15156-2 fixa limites máximos de dureza:

  • Aço carbono e baixa liga: 22 HRC
  • Aço duplex e superduplex: 35 HRC (com ferrita entre 35 % e 65 %)
  • Inox austenítico Classe 1 (A193 B8M Cl. 1, A320 B8M): 35 HRC, solubilizado e sem encruamento

É por isso que um A193 B7 comum, permitido até 35 HRC pela ASTM, não atende sour service. Precisa ser B7M, variação com tratamento térmico ajustado para ficar abaixo de 22 HRC e com teste de dureza obrigatório corpo a corpo.

O que pedir ao fornecedor

No pedido de compra, especifique explicitamente:

  1. Material exato: "ASTM A193 Gr. B7M" — não aceite "B7 conforme NACE", porque a grade M tem revenido e dureza diferentes.
  2. Certificado EN 10204 tipo 3.1, emitido pelo fabricante, com inspetor qualificado independente da produção.
  3. Dureza HRC medida individualmente por corpo de prova (não média do lote), registrada no certificado com o heat number correspondente.
  4. Declaração expressa: "material conforme NACE MR0175 / ISO 15156-2" (ou 15156-3 para CRA), com referência à parte aplicável.
  5. Rastreabilidade por heat number e lote, permitindo conferir corrida de fusão.
  6. Porca e arruela compatíveis declaradas em conjunto — porca A194 2HM (não 2H) para B7M, e arruela em material e dureza coerentes.

Para aplicações com PWHT (alívio de tensão pós-solda) em flange ou vaso, exija também declaração de que o parafuso foi testado para dureza após simulação térmica.

Materiais aceitos para sour service

Grade Norma Dureza máx. Aplicação típica
A193 B7M ASTM A193 / ISO 15156-2 22 HRC Estojo em flange sour até 455 °C
A320 L7M ASTM A320 / ISO 15156-2 22 HRC Baixa temperatura + sour
A193 B8M Cl. 1 ASTM A193 / ISO 15156-3 35 HRC Sour com corrosão, austenítico
A193 B8M Cl. 2 Não recomendado Encruado, rejeitado em sour
Duplex UNS S31803 ASTM A276 / ISO 15156-3 35 HRC Sour + cloretos, alta resistência
Inconel 718 API 6A718 / ISO 15156-3 40 HRC Sour severo, alta temperatura

Porcas compatíveis: A194 2HM para B7M/L7M, A194 8M para B8M, A194 8MA ou equivalente para ligas de níquel. Usar porca 2H comum com estojo B7M anula a conformidade NACE.

Como validar no recebimento

Recebido o lote, o inspetor deve executar:

  1. Conferir o certificado 3.1: declaração NACE expressa, heat number, dureza individual por corpo.
  2. Ensaio de dureza por amostragem no lote físico — mínimo 3 corpos por heat, em Rockwell C, com durômetro calibrado. Todos os pontos abaixo de 22 HRC.
  3. Verificar marcação na cabeça: "B7M" estampado (não B7), mais símbolo do fabricante.
  4. Conferir heat number estampado com o do certificado.
  5. Em caso de dúvida, análise química por espectrômetro portátil (PMI) para confirmar composição.
  6. Arquivar certificado com o data book da unidade para auditoria futura.

Uma não conformidade comum é receber lote com dureza média dentro do limite, mas um corpo isolado acima de 22 HRC. A norma exige que todos os pontos estejam abaixo — rejeite o lote ou segregue os corpos fora da especificação.

Armadilhas comuns

B7 com carimbo "conforme NACE" sem ensaio de dureza individual não atende. Grade M exige tratamento térmico diferente e teste corpo a corpo. Peça o certificado antes de aceitar.

Porca A194 2H em estojo B7M é o erro mais frequente. 2H tem dureza até 35 HRC e falha por SSC. O par correto é B7M + 2HM.

B8M Classe 2 (encruado) parece atender por ser inox, mas o encruamento eleva dureza acima de 35 HRC. Sour service usa apenas Classe 1, solubilizado.

Arruela não especificada vira elo fraco. Para sour service, arruela deve ser material e dureza coerentes — tipicamente F436M ou equivalente em baixa dureza.

FAQ

B7 pode ser usado em sour service se ensaiado? Não. A ASTM A193 B7 admite até 35 HRC, fora do limite NACE. Mesmo que um corpo isolado esteja abaixo de 22 HRC, a grade correta é B7M, com tratamento térmico e ensaio normalizados para sour.

EN 10204 3.1 é suficiente ou preciso 3.2? 3.1 atende quando emitido por inspetor qualificado independente da produção, com declaração NACE expressa. 3.2 adiciona validação por terceira parte (cliente ou órgão certificador) — exigido em alguns projetos offshore.

A194 2HM substitui 2H em qualquer aplicação? Sim para sour, e também em serviço doce não há perda de desempenho mecânico relevante. Padronizar 2HM simplifica estoque em plantas mistas.

Precisa PMI em todos os lotes? Não obrigatoriamente, mas é boa prática em sour crítico. O ensaio de dureza é o mínimo; PMI confirma composição e afasta troca de material.

Duplex S31803 atende sour sempre? Atende dentro dos limites de H2S, temperatura e cloretos da ISO 15156-3, Tabela A.24. Fora desses limites, pode falhar — verifique o envelope antes de especificar.

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Sobre a CotaFix: Fabricante brasileiro de parafusos especiais desde 1994, com estojos ASTM A193 B7M, B8M, A320 L7 e porcas A194 2HM/8M para sour service conforme NACE MR0175 / ISO 15156. ISO 9001:2015. EN 10204 tipo 3.1 por lote com dureza individual e declaração expressa NACE.

Atualizado em: 5 de fevereiro de 2026 — fontes: NACE MR0175 / ISO 15156-2 e 15156-3, ASTM A193, ASTM A194.

Sobre o Autor

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Eng. Carlos Roberto Silva

Especialista Técnico em Fixadores Industriais

  • ✓ 15+ anos em especificação de fixadores industriais
  • ✓ Certificado em normas ABNT NBR ISO 898-1 e ISO 4762
  • ✓ Especialista em normas ASTM F568M para aplicações críticas
  • ✓ Membro ativo do Comitê de Fixadores da ABNT
  • ✓ Experiência em projetos automotivos, offshore e aeroespaciais

Formado em Engenharia Mecânica pela USP, Carlos atua há mais de uma década na especificação técnica de fixadores para aplicações críticas. Responsável pela validação de especificações técnicas na CotaFix, contribui regularmente para atualizações de normas brasileiras e internacionais.

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