Caso técnico: estojo ASTM A193 B7 com PTFE em flanges ANSI 600# de refinaria

Projeto CFX-26-014: fornecimento de 48 conjuntos de flange ANSI B16.5 600# com estojo ASTM A193 B7 revestido em PTFE para vaso de pressão em serviço 250 °C com traços de H2S.

Resposta direta: No projeto CFX-26-014, a CotaFix forneceu 452 estojos ASTM A193 B7 revestidos em PTFE e 452 porcas A194 Gr 2H para 48 flanges ANSI B16.5 classe 600# de vaso de pressão em refinaria. Operação a 250 °C com H2S parcial de 0,2 kPa permitiu B7 convencional com dureza controlada 22 a 32 HRC, atendendo NACE MR0175. Entrega antecipada em 26 dias, com certificação EN 10204 tipo 3.1 por lote.

1. Contexto do projeto

O projeto CFX-26-014 nasceu de uma parada programada de manutenção de 10 dias em uma refinaria brasileira de pequeno-médio porte, com unidade de processamento de hidrocarbonetos líquidos. O escopo envolvia a substituição completa de fixadores de flange em um vaso de pressão horizontal de separação, operando em regime contínuo há 14 anos, com histórico de duas paradas anteriores e inspeção por ultrassom recente indicando início de perda de seção em parafusos existentes por combinação de aperto degradado e corrosão sob depósito.

Parâmetros principais do vaso:

  • Classificação: ANSI 600# (pressão nominal de projeto ~100 bar / 10 MPa).
  • Temperatura de serviço: 250 °C.
  • Fluido: hidrocarboneto líquido com teores residuais de H2S (sour service leve).
  • Ciclos térmicos: duas a três partidas e paradas anuais (fadiga térmica moderada).
  • Código construtivo: ASME BPVC Seção VIII Divisão 1.

O escopo de fornecimento cobriu 48 conjuntos de flange ANSI B16.5 distribuídos em cinco bitolas (2", 3", 4", 6" e 8"), totalizando 452 estojos, 452 porcas e sem arruelas (arranjo estojo + porca dupla, prática usual em flange de processo). Volume total aproximado: 280 kg de fixadores, com prazo crítico de entrega uma semana antes da parada.

2. Desafio técnico

O pacote técnico do cliente levantou quatro pontos críticos para a engenharia de fornecimento:

  1. Temperatura de trabalho de 250 °C, bem abaixo do limite de 455 °C do A193 B7 — portanto, sem restrição de material base.
  2. Presença de H2S em pequena escala com umidade intermitente, exigindo análise de risco de SSC (sulfide stress cracking) conforme NACE MR0175 / ISO 15156.
  3. Ciclos térmicos frequentes, que favorecem alívio de pré-carga e deslocamentos diferenciais no flange — exigindo acabamento com coeficiente de atrito estável.
  4. Rastreabilidade integral: exigência contratual de certificado EN 10204 tipo 3.1 por lote, com mill test certificate da siderúrgica, relatório dimensional e dureza individual.

O prazo da parada (10 dias) tornava qualquer retrabalho inaceitável — um lote reprovado significaria unidade parada além do planejado, com custo de oportunidade elevado.

3. Decisão: B7 ou B7M?

A primeira decisão de engenharia foi definir entre A193 Grau B7 (padrão) e A193 Grau B7M (versão com dureza restrita para serviço sour). A diferença parece simples, mas tem impacto direto em custo e prazo.

Parâmetro A193 B7 A193 B7M
Material base Aço-liga 4140/4142 Mesmo material
Tratamento Temperado e revenido Temperado e revenido + revenido adicional
Dureza máxima 35 HRC 22 HRC
Limite de escoamento (SMYS) 105 ksi (724 MPa) 80 ksi (552 MPa)
Limite de tração (SMTS) 125 ksi (862 MPa) 100 ksi (689 MPa)
Serviço sour (NACE) Condicional Sempre aceito
Custo relativo 1,0x 1,3 a 1,5x

O critério decisivo é o pH2S parcial no fluido. A NACE MR0175 estabelece que, para pH2S > 0,35 kPa (0,05 psi) em fase líquida com presença de água, materiais ferríticos requerem dureza máxima de 22 HRC — ou seja, B7M compulsório.

A análise laboratorial do fluido do vaso forneceu pH2S estimado em 0,2 kPa, abaixo do limiar NACE. Isso habilitou o uso de A193 B7 convencional, mas a engenharia da CotaFix optou por uma especificação conservadora: dureza máxima de 32 HRC (contra 35 HRC do padrão), criando margem de segurança caso o teor de H2S variasse durante a operação. Ganho: custo do B7 com robustez adicional para oscilações de processo, sem a penalização econômica e de prazo do B7M.

4. Escolha de acabamento: xylan 1424 vs PTFE

Definido o material, o segundo dilema foi o revestimento. Para flanges de processo em refinaria, dois acabamentos são padrão de mercado: PTFE (polimérico por spray/dip) e xylan 1424 (PTFE reforçado com resinas).

Característica PTFE Xylan 1424
Temperatura contínua até ~260 °C até ~285 °C
Espessura típica 20 a 40 μm 25 a 50 μm
Coef. atrito (μ) 0,12 a 0,15 0,10 a 0,14
Resistência química boa superior
Resistência à abrasão média alta
Custo relativo 1,0x 1,5 a 2,0x

Para 250 °C com ciclos térmicos, o PTFE tem margem de 10 °C — aceitável, mas sem folga generosa. Xylan 1424 teria conforto maior. A decisão foi tomada com base em três fatores:

  1. Temperatura real de parede do flange (medida em histórico de termografia do cliente) oscila entre 230 e 245 °C, com picos pontuais de 252 °C — dentro da janela do PTFE.
  2. O benefício crítico do revestimento era coeficiente de atrito consistente (μ ≈ 0,13) para permitir torque de aperto previsível, o que o PTFE entrega com qualidade equivalente ao xylan para essa faixa.
  3. O custo adicional do xylan 1424 em 452 peças não se justificava para a margem térmica obtida.

Decisão final: PTFE aplicado por dip com pré-tratamento fosfato de zinco e cura controlada a 370 °C, espessura especificada de 25 a 35 μm, com controle de aderência por teste de adesão (cross-cut) em amostragem de 10% do lote.

5. Especificação final

A tabela abaixo consolida o escopo entregue. Todos os estojos seguiram o padrão ASTM A193 B7 + PTFE, com porca pesada A194 Grau 2H também em PTFE para manter μ consistente no par estojo/porca.

Flange Bitola Estojo Material Acabamento Porca Qtd/flange Flanges Total estojos
2" ANSI 600# 5/8"-11 UNC x 4.1/4" A193 B7 PTFE A194 Gr 2H 8 8 64
3" ANSI 600# 3/4"-10 UNC x 4.3/4" A193 B7 PTFE A194 Gr 2H 8 10 80
4" ANSI 600# 7/8"-9 UNC x 5.1/4" A193 B7 PTFE A194 Gr 2H 8 14 112
6" ANSI 600# 1"-8 UNC x 6.1/4" A193 B7 PTFE A194 Gr 2H 12 10 120
8" ANSI 600# 1.1/8"-8 UN x 6.3/4" A193 B7 PTFE A194 Gr 2H 12 6 72

Totais: 48 flanges, 452 estojos, 452 porcas, sem arruelas (prática de flange de processo com porca pesada 2H).

Comprimentos de estojo foram calculados conforme ASME B16.5 Anexo C, considerando flange + junta espiralada graphite CS + flange, com rosca total (stud full-thread) para permitir inspeção visual da quantidade de filetes aparentes pós-aperto — requisito da engenharia de inspeção do cliente.

6. Torque de aperto e pré-carga

A ausência de procedimento de aperto consistente foi uma das causas-raiz apontadas no relatório de inspeção anterior. Por isso, a CotaFix forneceu, além dos fixadores, o procedimento de aperto calculado para cada bitola.

Parâmetros utilizados:

  • Pré-carga-alvo: 50% do SMYS do B7 (105 ksi / 724 MPa) → 362 MPa (conservador para ciclos térmicos).
  • Coeficiente de atrito: μ = 0,13 (PTFE, valor médio da faixa 0,12 a 0,15).
  • Fórmula de torque: ISO/TR 16047 simplificada, T = K × F × d, com K derivado de μ nas roscas e na face da porca.

Procedimento de aperto (sequência cruzada, 4 passagens):

  1. Passagem 1: 25% do torque final (todos os estojos).
  2. Passagem 2: 50%.
  3. Passagem 3: 75%.
  4. Passagem 4: 100% + verificação.

Validação pós-partida: extensometria ultrassônica em 10% das juntas após 48 h de operação térmica estabilizada, para confirmar manutenção da pré-carga dentro da faixa de ±10% do alvo.

7. Documentação entregue

A rastreabilidade plena foi elemento central do escopo. O dossiê de entrega incluiu:

  1. EN 10204 tipo 3.1 por lote, com:
    • Mill test certificate da siderúrgica (composição química + tração + impacto).
    • Relatório dimensional conforme ASME B18.2.1 (estojos) e B18.2.2 (porcas).
    • Dureza individual em amostragem conforme plano ASTM A193 (mínimo 10% do lote).
  2. Relatório de aplicação do PTFE emitido pelo fornecedor do coating, com espessura medida por micrômetro magnético (DFT gauge), teste de adesão e cura verificada.
  3. Declaração NACE MR0175 confirmando dureza no intervalo 22 a 32 HRC em todas as amostras verificadas, com metodologia Rockwell C conforme ASTM E18.
  4. Rastreabilidade da corrida do aço na siderúrgica, vinculando cada lote de estojo a um lote de vergalhão e a uma corrida específica.

Todos os documentos foram entregues em PDF assinado digitalmente e cópia física no contêiner de entrega.

8. Cronograma de fornecimento

Fase Dias Atividade
1 Dia 1 a 5 Aprovação de especificação técnica, revisão de comprimentos ASME B16.5, compra de matéria-prima vergalhão 4140
2 Dia 6 a 16 Usinagem (corte, torneamento, rosqueamento), controle dimensional inicial
3 Dia 17 a 19 Tratamento térmico (têmpera + revenido), controle de dureza
4 Dia 20 a 22 Fosfatização + aplicação PTFE + cura
5 Dia 23 a 24 Inspeção dimensional final, dureza final, emissão do 3.1 por lote
6 Dia 25 Embalagem identificada por flange (kit por junta) + logística
7 Dia 26 Entrega na refinaria (1 dia antes da parada)

A estratégia de embalagem em kit por flange (cada saco contendo o conjunto exato de estojos e porcas para um flange específico, etiquetado com TAG do vaso e posição) reduziu o tempo de montagem em campo e eliminou risco de mistura de bitolas durante a parada.

9. Lições aprendidas

O projeto CFX-26-014 foi concluído dentro do prazo contratado e sem rejeições em inspeção de recebimento. Quatro lições ficaram registradas no dossiê interno:

  1. Medir antes de exigir B7M. A tendência conservadora em refinaria é especificar B7M por default em qualquer serviço com H2S. Uma análise real do pH2S — quando disponível — pode habilitar B7 com dureza controlada, reduzindo custo 30 a 50% sem perda de segurança.
  2. Dureza certificada não substitui dureza validada no lote real. O certificado da siderúrgica é condição necessária, mas não suficiente. Validação no lote final (pós tratamento térmico) é obrigatória para NACE.
  3. PTFE funciona bem a 250 °C desde que a temperatura de parede real esteja monitorada e não haja picos superiores a 260 °C. Abaixo disso, a relação custo-benefício supera o xylan 1424.
  4. Documentação NACE é trivial quando especificada desde o início. Incluir a declaração NACE no escopo contratual original elimina retrabalho documental e acelera a aprovação de qualidade.

Para outros projetos de refinaria e petroquímica, consulte nosso material de setor petroquímico com especificações típicas de flange de processo e trocadores, e o conteúdo dedicado a caldeiraria pesada com soluções para vasos e reatores.

10. Perguntas frequentes

Por que estojo com rosca total e não com corpo liso?
Em flanges de processo, o estojo full-thread permite que a inspeção visual conte os filetes aparentes após aperto, facilitando verificação rápida de aderência ao procedimento. Também permite reaproveitamento em espessuras de junta diferentes sem reusinagem.

A193 B7 pode ser usado em serviço sour sem modificação?
Depende do pH2S parcial e das condições de umidade. Para pH2S > 0,35 kPa com água líquida, a NACE MR0175 exige dureza máxima de 22 HRC (B7M). Abaixo desse limite, B7 é aceito, preferencialmente com restrição de dureza (22 a 32 HRC) como boa prática.

PTFE sobrevive a 260 °C continuamente?
PTFE puro é estável até ~260 °C contínuos e suporta picos curtos acima disso. Para operação contínua acima de 260 °C ou com margem de segurança maior, recomenda-se xylan 1424 (até 285 °C) ou coatings cerâmicos específicos.

Por que A194 Gr 2H e não Gr 7 ou Gr 4?
A194 Grau 2H é a porca pesada padrão de companheirismo do A193 B7, com compatibilidade de dureza e limite de escoamento dimensionada para o par. Gr 7 e Gr 4 são alternativas para aplicações específicas de baixa temperatura, mas 2H é a escolha por código na faixa -29 °C a 425 °C.

Qual o prazo mínimo viável para 450 estojos B7 + PTFE com 3.1?
Para volumes nessa faixa, o prazo técnico mínimo com matéria-prima em estoque é de 20 a 22 dias. Sem estoque, o prazo se estende para 30 a 40 dias por conta do vergalhão 4140 tratável. Prazos inferiores exigem negociação caso a caso.

É necessária requalificação NACE a cada fornecimento?
Sim. A declaração NACE é emitida por lote, com validação de dureza no lote real. Certificados de fornecimentos anteriores não se aplicam ao lote atual mesmo que o material de origem seja da mesma corrida.

Quem define o torque de aperto: fornecedor ou engenharia do cliente?
Formalmente é responsabilidade da engenharia de manutenção do cliente, mas o fornecedor deve entregar o cálculo de torque de referência baseado no coeficiente de atrito real do acabamento fornecido. A CotaFix entrega esse cálculo como parte do dossiê técnico.

Para especificar um pacote similar de fixadores para vaso de pressão, trocador de calor ou coluna, entre em contato com nossa engenharia de aplicação com pressão, temperatura, fluido e dados de H2S disponíveis.


Sobre a CotaFix: Fabricante brasileiro de parafusos especiais desde 1994, com capacidade produtiva para estojos ASTM A193 B7/B7M/B16 e A320 L7/L43 em acabamentos PTFE, xylan 1424, dacromet e HDG. Laboratório próprio para validação dimensional, dureza e tração. Documentação EN 10204 tipo 3.1 com declaração NACE MR0175 quando aplicável.

Atualizado em: 9 de abril de 2026 — fontes: ASTM A193, ASTM A194, ANSI/ASME B16.5, NACE MR0175 / ISO 15156, ASME BPVC Seção VIII, EN 10204.

Sobre o Autor

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Eng. Carlos Roberto Silva

Especialista Técnico em Fixadores Industriais

  • ✓ 15+ anos em especificação de fixadores industriais
  • ✓ Certificado em normas ABNT NBR ISO 898-1 e ISO 4762
  • ✓ Especialista em normas ASTM F568M para aplicações críticas
  • ✓ Membro ativo do Comitê de Fixadores da ABNT
  • ✓ Experiência em projetos automotivos, offshore e aeroespaciais

Formado em Engenharia Mecânica pela USP, Carlos atua há mais de uma década na especificação técnica de fixadores para aplicações críticas. Responsável pela validação de especificações técnicas na CotaFix, contribui regularmente para atualizações de normas brasileiras e internacionais.

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