Estojos A193 B7, B7M, B16 ou A320 L7: qual escolher para cada flange e condição de serviço

Comparativo técnico entre ASTM A193 B7, B7M, B16 e A320 L7/L43 para flanges, vasos de pressão e sour service, com tabela decisória e armadilhas comuns.

Em serviço padrão até 455°C sem H2S, o estojo ASTM A193 B7 é a escolha econômica. Para sour service conforme NACE MR0175, migre para B7M (dureza maxima 22 HRC). Em alta temperatura até 540°C, especifique B16. Para serviço criogênico abaixo de -29°C, ASTM A320 L7 ou L43, sempre com Charpy documentado.

1. Introdução — o que é ASTM A193 e onde ela se aplica

A especificação ASTM A193/A193M cobre estojos, parafusos e elementos de fixação em aço liga e aço inoxidável destinados a serviço em alta temperatura, alta pressão ou condições combinadas. É a norma-referência para flanges conforme ASME B16.5 (classes 150# a 2500#) e ASME B16.47 (flanges de grande diâmetro), vasos de pressão projetados sob ASME BPVC Seção VIII Divisão 1 e 2, válvulas, bombas, trocadores de calor e linhas críticas de refinaria e petroquímica.

Quando o serviço sai da janela de temperatura da A193 em direção ao criogênico, entra em cena a ASTM A320/A320M, que impõe requisitos de impacto Charpy em baixa temperatura. As porcas que se acoplam aos estojos A193 e A320 são cobertas pela ASTM A194/A194M, e a escolha da porca deve acompanhar rigorosamente o grau do estojo — especialmente em sour service e em criogenia.

Este comparativo discute os graus mais solicitados em compras técnicas brasileiras: B7, B7M, B16, A320 L7 e A320 L43, com referência complementar a B8/B8M (inoxidáveis austeníticos). A decisão errada nesse ponto tem consequências diretas: vazamento em flange, fratura frágil em cryo, sulfide stress cracking (SSC) em presença de H2S, ou simplesmente reprovação do dossiê pela inspeção do cliente.

2. B7 — o cavalo de batalha das flanges ASME

O A193 Grau B7 é, de longe, o grau mais consumido em fixação pesada industrial. Suas características normativas:

  • Material: aço liga cromo-molibdênio, tipicamente AISI 4140/4142 temperado e revenido.
  • Limite de escoamento (SMYS): 105 ksi (724 MPa) para diametros até 2-1/2".
  • Limite de ruptura: 125 ksi (860 MPa) mínimo.
  • Dureza máxima: 35 HRC.
  • Faixa de temperatura de serviço: -29°C a 455°C (limite superior definido em conjunto com ASME BPVC Seção II Parte D).
  • Diâmetros típicos: 1/4" a 4" sem degrau de propriedade; acima de 2-1/2" há escalonamento de SMYS conforme a tabela da norma.
  • Porca correspondente: A194 Gr 2H.

O B7 é aprovado para flanges ANSI 150# a 2500# em serviço não corrosivo, inclusive vapor saturado e superaquecido dentro da janela térmica. Seu principal limite operacional, do ponto de vista de compra técnica, é a incompatibilidade com sour service: a dureza máxima de 35 HRC excede o teto de 22 HRC imposto pela NACE MR0175 / ISO 15156 para aços carbono e baixa liga. Especificar B7 em linha com H2S é contrariar frontalmente a norma e expor a planta a SSC.

3. B7M — a versão modificada para sour service

O B7M compartilha a mesma composição química do B7 (4140), porém com tratamento térmico controlado para atender o requisito de dureza máxima 22 HRC por NACE MR0175 / ISO 15156. A consequência metalúrgica direta é a redução do limite de escoamento:

  • SMYS: 80 ksi (550 MPa), contra 105 ksi do B7.
  • Limite de ruptura: 100 ksi (690 MPa) mínimo.
  • Dureza máxima: 22 HRC (requisito 100% verificado por lote, com teste mínimo em cada estojo quando o cliente exige).
  • Temperatura de serviço: -29°C a 455°C.
  • Porca compatível: A194 Gr 2HM — a 2H padrão não atende, pois também tem restrição de dureza no ambiente sour.

O B7M é obrigatório em linhas com H2S em concentração e pressão parcial dentro do envelope MR0175, em unidades como hidrotratamento (HDT), hidrocraqueamento (HCC), dessulfurização, unidades de aminas, SWS (stripper de águas ácidas) e sistemas de produção de petróleo em campos sour. O projeto do flange precisa prever a menor capacidade de carga do parafuso — em alguns casos isso implica aumentar o diâmetro do estojo ou subir uma classe de pressão de flange.

Em paralelo ao SSC, o projeto deve considerar HIC (Hydrogen Induced Cracking) e SOHIC no corpo do vaso, mas isso é requisito do aço do equipamento, não do estojo. A CotaFix atende estojos B7M com declaração NACE e EN 10204 tipo 3.1 por lote.

4. B16 — alta temperatura até 540°C

Quando a temperatura de serviço ultrapassa o teto do B7, a resposta da A193 é o Grau B16:

  • Material: aço-liga Cr-Mo-V (cromo-molibdênio-vanádio), a adição de vanádio melhora a estabilidade de carbonetos em alta temperatura e reduz fluência.
  • SMYS: 105 ksi (724 MPa).
  • Limite de ruptura: 125 ksi (860 MPa).
  • Dureza máxima: 35 HRC.
  • Temperatura de serviço: até 540°C em regime contínuo.
  • Porca compatível: A194 Gr 4 ou Gr 7.

Aplicações típicas do B16: unidades de craqueamento catalítico (FCC), reforma catalítica, coqueamento retardado, turbinas a vapor, caldeiras de alta pressão, linhas de vapor superaquecido e trocadores em circuito de reator. O custo unitário de um estojo B16 supera o B7 em tipicamente 30% a 50%, pela matéria-prima e pelo controle de tratamento térmico mais exigente.

O B16 também não é apto a sour service em sua forma padrão — a dureza 35 HRC o coloca fora do envelope MR0175. Em unidades que combinam alta temperatura e H2S, a solução é uma combinação de materiais (p. ex. Inconel 718 ou ligas precipitation-hardened), o que foge do escopo da A193.

5. A320 L7 e L43 — a saída criogênica

Abaixo de -29°C, o B7 não é certificável: a A193 não cobre impacto Charpy em baixa temperatura. O caminho normativo é ASTM A320:

  • A320 L7: material base 4140, mesma química do B7, mas com ensaio Charpy obrigatório a -101°C (20 J mínimo em três corpos de prova, com valor mínimo individual de 16 J). SMYS 105 ksi, ruptura 125 ksi.
  • A320 L43: material 4340 modificado, maior temperabilidade e maior resistência. SMYS 135 ksi, ruptura 155 ksi. Usado em flanges de alta pressão em serviço criogênico, onde L7 não atende a solicitação mecânica.
  • Faixa de temperatura: de -101°C a 371°C (A320 L7) e -101°C a 371°C (L43).
  • Porca compatível: A194 Gr 4 ou Gr 7 com ensaio Charpy correspondente à mesma temperatura do estojo.

Aplicações padrão: GNL (gás natural liquefeito, -162°C — neste caso é obrigatória revisão da adequação do grau e geralmente se migra para inox ou ligas Ni), unidades criogênicas de ar (ASU), armazenamento e transferência de amônia (-33°C), etileno (-104°C), propano/butano em regime refrigerado, e vasos de estocagem em plantas petroquímicas.

Cuidado crítico no dossiê: a A320 exige relatório Charpy por lote, além do mill test certificate. A ausência deste documento é motivo de reprovação imediata em QA de refinaria ou de contratante EPC.

Para o contexto brasileiro, ver também aplicações em petroquímica e caldeiraria pesada.

6. Tabela comparativa completa

Grau Material base SMYS Temp. de serviço Dureza máxima Sour service (NACE) Aplicação típica Porca compatível
A193 B7 4140 Cr-Mo 105 ksi (724 MPa) -29°C a 455°C 35 HRC Não Flange ASME padrão, vaso de pressão não corrosivo A194 Gr 2H
A193 B7M 4140 Cr-Mo 80 ksi (550 MPa) -29°C a 455°C 22 HRC Sim Sour service, HDT, HCC, aminas, SWS A194 Gr 2HM
A193 B16 Cr-Mo-V 105 ksi (724 MPa) -29°C a 540°C 35 HRC Não FCC, reforma, turbina a vapor, caldeira A194 Gr 4 ou Gr 7
A320 L7 4140 + Charpy 105 ksi (724 MPa) -101°C a 371°C Charpy 20 J min Não (padrão) Criogênico geral, amônia, etileno A194 Gr 4 ou 7 com Charpy
A320 L43 4340 mod. + Charpy 135 ksi (930 MPa) -101°C a 371°C Charpy 20 J min Não Criogênico de alta pressão A194 Gr 4 ou 7 com Charpy
A193 B8 Cl.1 304 inox 30 ksi (205 MPa) -254°C a 815°C Limitado Alta temperatura + corrosão moderada A194 Gr 8
A193 B8M Cl.1 316 inox 30 ksi (205 MPa) -254°C a 815°C Sim (casos MR0175) Cloretos, ácidos diluídos, corrosão severa A194 Gr 8M

Notas sobre a tabela:

  1. O SMYS de B8/B8M Classe 1 é baixo (30 ksi) por ser no estado recozido. Para serviço de alta carga existem as Classes 1D, 2 e 2B com encruamento, que elevam SMYS até 100 ksi em diâmetros pequenos, mas com perda de ductilidade.
  2. Os limites superiores de temperatura para inox B8/B8M dependem do projeto do equipamento sob ASME BPVC Seção II Parte D — fluência passa a governar bem antes do teto mecânico.
  3. O sour service nos inox 304/316 tem janela limitada por cloretos e depende da tabela A.2 da ISO 15156-3.

7. Árvore de decisão para compra técnica

Use a sequência abaixo em projeto novo ou em revisão de especificação:

  1. A temperatura de serviço está entre -29°C e 455°C e não há H2S? → A193 B7, porca A194 2H.
  2. Há H2S em concentração e pressão parcial cobertas pela NACE MR0175? → A193 B7M, porca A194 2HM, com declaração NACE por lote.
  3. A temperatura de serviço fica entre 455°C e 540°C? → A193 B16, porca A194 Gr 4 ou Gr 7, preferindo Gr 7 em temperaturas maiores.
  4. A temperatura de serviço é inferior a -29°C? → A320 L7 como padrão; A320 L43 se a carga de projeto exigir SMYS acima de 105 ksi. Porca A194 Gr 4 ou 7 com Charpy.
  5. Há ataque por cloretos, ácidos ou combinação de alta temperatura com corrosão? → migrar para B8/B8M (304/316), avaliar duplex UNS S32205 ou Inconel 625/718 quando a janela ambiental piorar.

Para casos fora dessa árvore — por exemplo, temperatura de parede acima de 540°C, ou sour service de alta severidade com Cloro + H2S — a conversa sai da A193 e entra em ligas especiais. Fale com o time técnico da CotaFix para apoio na classificação.

8. Armadilhas comuns em especificação

Padrões recorrentes que aparecem em dossiês reprovados e em falhas de campo:

  • Especificar B7 em linha com H2S. É o erro mais caro. Resulta em SSC em dias ou meses, dependendo da pressão parcial de H2S e da dureza real do lote.
  • Confundir A193 B7 com A320 L7. Visualmente o estojo é idêntico e a marcação pode ser confundida. O ponto decisivo é sempre o relatório Charpy. Sem Charpy, o estojo é B7, não L7.
  • Usar porca A194 2H em sour service. A 2H padrão tem dureza acima de 22 HRC. O estojo B7M está no envelope NACE, mas a porca 2H não — e é justamente a porca a primeira a falhar por SSC nesse cenário. Sempre 2HM.
  • Porca A194 Gr 4 sem Charpy em montagem A320. O par estojo-porca precisa ter ensaio de impacto na mesma temperatura de qualificação. A norma A194 cobre a variante Charpy explicitamente.
  • Ignorar HIC/SOHIC no projeto do vaso em sour. Não é requisito do estojo, mas o comprador técnico que compra B7M sem olhar o corpo do equipamento fica com falsa sensação de segurança.
  • Torque de aperto calibrado para B7 aplicado em B7M. Como o SMYS do B7M é 24% menor, o torque máximo admissível também cai. Usar o mesmo torque de B7 pode levar à plastificação do estojo na montagem.
  • Especificar B16 em temperatura abaixo de 455°C. Não é erro técnico, mas é desperdício financeiro. O B7 atende integralmente a faixa e custa menos.

9. Documentação obrigatória no dossiê

O dossiê técnico mínimo em compra crítica, na prática brasileira e em projetos EPC:

  • EN 10204 tipo 3.1 emitido pelo fabricante e validado por laboratório do próprio fabricante ou terceira parte acreditada.
  • Mill Test Certificate (MTC) com análise química por corrida (heat) e propriedades mecânicas por lote.
  • Relatório de dureza em HRC ou HV, com amostragem por lote; em B7M, dureza 100% verificada quando o cliente pedir.
  • Relatório de Charpy em A320 L7/L43 e em A194 com requisito de impacto, com temperatura, energia média e energia individual mínima.
  • Declaração NACE MR0175 / ISO 15156 quando o serviço for sour, com rastreabilidade de lote e dureza.
  • Certificado ISO 9001 do fabricante e, em muitos contratos, qualificação ABNT CB-04.
  • Rastreabilidade por marcação no corpo do estojo conforme A193/A320: grau, fabricante e, quando aplicável, identificação de lote.

A CotaFix emite esse conjunto documental por lote desde 1994 e mantém laboratório próprio para ensaios mecânicos, de dureza e Charpy.

10. FAQ

1. Posso usar B7M em serviço não sour para simplificar estoque? Tecnicamente sim, desde que a menor capacidade de carga seja aceita no projeto. Economicamente o estoque único aumenta o custo do parafuso em serviço padrão. Em plantas grandes costuma compensar manter B7 e B7M separados.

2. A194 Gr 2H pode ser usada com B7M em serviço sour? Não. A 2H padrão pode ter dureza acima de 22 HRC. Em sour service, use A194 Gr 2HM com declaração NACE.

3. Qual a diferença prática entre A194 Gr 4 e Gr 7 para B16? Gr 4 é aço-liga de baixo carbono temperado; Gr 7 é Cr-Mo tratado termicamente, com comportamento superior em alta temperatura. Para serviço contínuo acima de 480°C prefira Gr 7.

4. Existe B7 acima de 4" de diâmetro? A A193 cobre o B7 até diâmetros maiores com escalonamento de SMYS. Acima de 2-1/2" o SMYS cai para 95 ksi, e acima de 4" para 75 ksi. Sempre consulte a tabela da norma antes de aceitar o dimensionamento original do flange.

5. Estojos galvanizados a fogo podem ser A193 B7? Podem, mas existe risco de fragilização por hidrogênio no processo de zincagem a quente. Em aplicações críticas, a prática é usar zincado eletrolítico com alívio de hidrogênio ou aplicar revestimento PTFE xylan sobre o B7 usinado.

6. Quando migrar de B8M para duplex ou Inconel? Quando cloreto + temperatura + pH saírem da janela da ISO 15156-3 para 316, ou quando o projeto exigir SMYS maior que 100 ksi em ambiente corrosivo. Duplex S32205 resolve grande parte dos casos; Inconel 625/718 cobre o restante.

7. A CotaFix fornece todos esses graus prontos para pronta entrega? B7, B7M, B16, A320 L7, L43, B8 e B8M são produzidos sob pedido com prazo de lote, em diâmetros de 1/4" a 4" e comprimentos até o limite de barra. Projetos com dimensão crítica podem ter matéria-prima reservada antecipadamente.


Sobre a CotaFix: Fabricante brasileiro de parafusos especiais e estojos ASTM A193 B7/B7M/B16, A320 L7/L43 e porcas A194 Gr 2H/2HM/4/7/7M/8/8M desde 1994. ISO 9001:2015. EN 10204 tipo 3.1 por lote com declaração NACE MR0175 quando aplicável e ensaio Charpy em A320.

Atualizado em: 16 de abril de 2026 — fontes: ASTM A193, A194, A320, NACE MR0175 / ISO 15156, ASME BPVC Seção VIII, ASME B16.5.

Sobre o Autor

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Eng. Carlos Roberto Silva

Especialista Técnico em Fixadores Industriais

  • ✓ 15+ anos em especificação de fixadores industriais
  • ✓ Certificado em normas ABNT NBR ISO 898-1 e ISO 4762
  • ✓ Especialista em normas ASTM F568M para aplicações críticas
  • ✓ Membro ativo do Comitê de Fixadores da ABNT
  • ✓ Experiência em projetos automotivos, offshore e aeroespaciais

Formado em Engenharia Mecânica pela USP, Carlos atua há mais de uma década na especificação técnica de fixadores para aplicações críticas. Responsável pela validação de especificações técnicas na CotaFix, contribui regularmente para atualizações de normas brasileiras e internacionais.

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